sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Abismo de Quarta

Meio de semana, em cima da pedra, quarta-feira chegou. A gente tá no olho do furacão, no redemoinho da rotina, no caos da urbes, no chão. Apertado na lotada, engarrafado, feito flor no asfalto. Apático, no automático, sem pensar nem sentir... executar é o comando.

Mas são nessas paredes, nesses prédios que nos cercam, nesses muros de concreto, vidros de carros, parados ou em movimento, um desses líquidos quaisquer que pode refletir, é que se notam, nos olhos, o rosto cansado, observando um outro corpo cansado, num  reflexo de algo, um corpo fadigado.

E é esse corpo morto, no meio da semana, no frenesí do cotidiano, que tem a descência de perceber, que nas profundezas de si mesmo, em meio a toda aquela carne torpe de movimentos repetitivos, que existem coisas valiosas em que não se repara pela constante frequência.

A alma, o amor, o eu e o tu. A razão pela qual você sempre faz questão de esquecer, e quando esquece, não entende o porquê de não lembrar.

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